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 » Deixe o outro falar - 25/02/2010
  Deixar o outro falar ajuda em situações familiares e profissionais.

Barbara Wilson relacionava-se muito mal com sua filha Laurie. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco.

Laurie, que fora uma criança serena e complacente, tornou-se avessa à cooperação, às vezes provocadora.

A Sra. Wilson passava-lhe sermões, ameaçava-a, punia, sem sucesso.

Certo dia, contou a Sra. Wilson, simplesmente desisti.

Laurie tinha me desobedecido e fora para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos.

Quando voltou, eu estava prestes a estourar com ela pela milésima vez, mas não tive forças para isso. Limitei-me a fitá-la e a dizer:

"Por quê, Laurie, por quê?"

Laurie percebeu o estado em que eu me encontrava e, com uma voz calma, perguntou:

"Quer mesmo saber?"

Fiz que sim com a cabeça e Laurie contou-me, primeiro hesitando, depois com uma fluência impressionante.

Eu nunca lhe prestara atenção. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo.

Quando sentia necessidade de conversar comigo sobre as coisas dela, sentimentos, ideias, interrompia-a com mais ordens.

Comecei a compreender que ela precisava de mim - não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para suas confusões de adolescente.

E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira.

A partir daquele momento, fui uma perfeita ouvinte. Hoje ela me conta o que lhe passa pela cabeça e nosso relacionamento melhorou de maneira imensurável. Ela se tornou, de novo, uma colaboradora.


Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos.

Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais.

Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições, etc, e eles, os filhos, precisam apenas ouvir.

Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem e tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro.

Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos?

Será que esses pais sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos?

O processo de aprendizado, e mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo.

E quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que este é uma via de mão dupla. No diálogo fala-se, mas também se ouve, e muito...

Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez, ainda seja tão difícil para a Humanidade.

Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia.

Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações, etc.

Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor.

Pais, deixemos nossos filhos falarem! Filhos, deixemos nossos pais falarem!

O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre.
 
 
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